19 de nov. de 2012

#Uma boa alternativa? - Parte 2


Dando continuidade ao texto da semana passada, vamos dar mais uma olhada no tema sobre a relação entre opcionais e ônibus convencionais, explorando alguns detalhes dessa união.
         
Como já havia dito, vejo que num futuro próximo os alternativos e convencionais irão andar de mãos dadas, porém, para que isso aconteça beneficiando o cliente é preciso focar na qualidade e na racionalidade do sistema como um todo.
            
É sabido por todos que os nossos alternativos urbanos não são uma boa alternativa, onde, seja por falta de fiscalização ou pura irresponsabilidade, os permissionários abusam do bom senso, guiando imprudentemente veículos em péssimo estado de conservação, tratando mal o passageiro e desrespeitando horários de saída e chegada ao terminal deles. Para que o casamento aconteça é preciso mudar a postura.
            
Há outro fator que precisa ser levado em conta: o bilhete único. Ora, em muitas cidades de outros países, até mesmo cidades brasileiras, há um único bilhete para todo o sistema de transporte público, que na maioria das vezes engloba ônibus e trens. Na França, por exemplo, é possível comprar o bilhete único em qualquer quiosque na rua, parecido com o cartão telefônico no Brasil, há algum tempo atrás. Já caminhamos para esse bilhete único, mas a burocracia e, principalmente, o “desgoverno” do Rio Grande do Norte tornam uma implantação simples numa construção de aeroporto. Há esperança.
           
Com um sistema inteligente e voltado para o bem estar do usuário (e não para a redução do custo operacional das empresas), certamente veremos nossas ruas com menos veículos de passeio, com pessoas mais tranquilas (pois sem engarrafamentos os atrasos ficam menores), com ônibus de qualidade levando e trazendo com conforto, segurança e rapidez. O nome disso é desenvolvimento.
            
Aguardemos pois as grandes mudanças que estão prestes a acontecer em Natal. Torçamos para que os gestores criem políticas de incentivo ao transporte público, para que os empresários entendam que transportar bem é melhor que transportar muito. Que todos deem as mãos para promover o melhor transporte público para mim e para você.

Boas semanas!

Rossano Varela

11 de nov. de 2012

#Uma boa alternativa? - Parte 1


Confesso-lhes que nunca fui muito simpático com o transporte alternativo em Natal, tampouco com os intermunicipais, mas nesses últimos dias esse segmento do transporte público de passageiros vem chamando minha atenção e até conquistando minha simpatia. Basicamente, deixei o preconceito em busca de conceitos.

Se não me falha a memória esse tipo de transporte surgiu, ou pelo menos eclodiu, a partir da segunda metade da década de noventa, principalmente através das famosas Kia Besta e Sprinter, sendo a primeira a responsável pelo apelido que até bem pouco tempo atrás reinava nas ruas: independente do modelo, qualquer alternativo era chamado de “besta”, algo semelhante aos “Topiqueiros” de Fortaleza (imagino que seja uma referência ao modelo Asia Topic, concorrente direto da Besta na época).
                
Os alternativos também foram motivo de fechamento de várias empresas de ônibus, bem como do início das crises que algumas até hoje sofrem. Por preços mais baixos e com mais agilidade, até mesmo com mais conforto, eles conquistaram muitos clientes que outrora dependiam exclusivamente das empresas de ônibus convencionais. Os órgãos gestores também tiveram sua grande parcela de culpa.
                
Hoje o cenário está mais confuso, onde em Natal o transporte alternativo está em crise, assim como as empresas convencionais, e nas demais cidades do estado estão em aparente ascensão, enquanto que as empresas intermunicipais estão em declínio.
                
Enfim, olhando para frente, acredito que tanto o transporte convencional quanto o alternativo poderão enfim dar as mãos. A licitação das linhas urbanas de Natal prega que os ônibus ficarão responsáveis pelos trajetos mais longos enquanto que os opcionais cuidariam do transporte bairro a bairro. Acho uma excelente ideia. Com relação aos que fazem o transporte intermunicipal, poderia ser feito o mesmo, onde os ônibus convencionais fariam trajetos para cidades polo e os alternativos fariam o transporte destas para os municípios adjacentes.
                
Há logica nisso, concordam? Na parte seguinte a discussão será aprofundada.

Boas semanas!
Rossano Varela.

Foto: Rossano Varela