27 de out. de 2012

#Tudo que sobe...


Ultimamente, em meus passeios pela rede, tenho presenciado muitas discussões em grupos de busólogos. Conheci novos termos, como “bozólogo”, forma pejorativa de se dirigir a alguns admiradores de ônibus um pouco mais exagerados, pelo menos foi o que entendi. Mas o que percebi claramente foi a popularização que o hobby sofreu nos últimos meses.
                
Faz pouco tempo que voltei ao cenário da prática e cada vez mais tenho me dado conta de que as coisas mudaram. De repente me sinto um vovô bem antiquado num contexto de muitos jovens busólogos, cheios de energia e pique que eu não tenho mais. Enfim, a busologia se popularizou, e essa popularização trouxe consigo coisas boas e coisas más.
                
Acredito que uma das melhores coisas que aconteceram foi o conhecimento da “causa” por parte das empresas de ônibus, e da própria sociedade. Certamente hoje é muito mais fácil fotografar um ônibus do que na minha “época”. Lembro-me que quando eu tirava fotos de ônibus o fazia quase como um detetive, olhando para todos os lados para garantir que ninguém estava prestando atenção em mim. Só tirava fotos mais tranquilo quando estava em grupo. O medo de algum motorista parar a máquina para questionar o porquê da foto era grande. Ainda hoje preservo essa característica.
                
Se por um lado a popularização da prática trouxe benefícios, como o citado no parágrafo anterior, por outro trouxe certo prejuízo ao hobby. A própria popularização é o mal que atingiu o segmento. Ora, muitas cabeças surgiram no meio, e se brincar cada uma abriu seu portal de fotos ou notícias. As reuniões que outrora serviam de palco para debates e prosas construtivas hoje servem apenas para abastecer as centenas de portais espalhados pela rede. O pior não é nem isso, mas sim as discussões que tenho visto. Não vou entrar em mais detalhes.
                
Claramente vejo que a busologia está trilhando um caminho bem conhecido: da exceção, do anonimato, foi crescendo, crescendo e hoje posso dizer que está no seu apogeu da popularidade. Porém tudo que sobe, um dia desce. Má notícia: começo a ver a íngreme ladeira a baixo. Estamos perdendo a qualidade, estamos perdendo escrúpulos, estamos perdendo ícones do hobby, estamos perdendo a educação. Lamentável.
                
Tenho esperanças para o setor, mas a coisa tem vida própria. Só o senhor tempo é quem dirá o que vai acontecer com o hobby. Por enquanto, vou escrevendo essa coluna como um vovô rabugento, na esperança de que algum dia as coisas se ajustem, até porque, depois do apogeu pode surgir a queda ou a estabilização. Vamos torcer por esta última, não é mesmo? 

Bons fins de semana.

Rossano Varela


Foto: Rossano Varela

2 comentários:

  1. Meus parabéns pela o texto que aborta um tema bastante importante na qual vira problema entre nós busólogos. A falta de educação e o declinio da cultura da busólogia.

    Realmente o assunto é complicado e merece sim um pouco mais de atenção entre nós mesmos busólogos, com mais realizações de encontros entre outros.

    Vamos falar mais do ônibus, foi assim que conseguimos entrar nas garagens na qual nunca pensei em entrar. *_*

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  2. O problema dos bozólogos ganhou uma nova dimensão quando começaram a surgir rixas e "panelinhas" dividindo os praticantes do hobby, e alguns começaram a ter anseios em tornar-se uma espécie de "líder" dos respectivos grupinhos.

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