Ultimamente, em
meus passeios pela rede, tenho presenciado muitas discussões em grupos de
busólogos. Conheci novos termos, como “bozólogo”, forma pejorativa de se
dirigir a alguns admiradores de ônibus um pouco mais exagerados, pelo menos foi
o que entendi. Mas o que percebi claramente foi a popularização que o hobby
sofreu nos últimos meses.
Faz pouco tempo que voltei ao
cenário da prática e cada vez mais tenho me dado conta de que as coisas
mudaram. De repente me sinto um vovô bem antiquado num contexto de muitos
jovens busólogos, cheios de energia e pique que eu não tenho mais. Enfim, a
busologia se popularizou, e essa popularização trouxe consigo coisas boas e
coisas más.
Acredito que uma das melhores
coisas que aconteceram foi o conhecimento da “causa” por parte das empresas de
ônibus, e da própria sociedade. Certamente hoje é muito mais fácil fotografar
um ônibus do que na minha “época”. Lembro-me que quando eu tirava fotos de
ônibus o fazia quase como um detetive, olhando para todos os lados para
garantir que ninguém estava prestando atenção em mim. Só tirava fotos mais
tranquilo quando estava em grupo. O medo de algum motorista parar a máquina
para questionar o porquê da foto era grande. Ainda hoje preservo essa
característica.
Se por um lado a popularização
da prática trouxe benefícios, como o citado no parágrafo anterior, por outro trouxe
certo prejuízo ao hobby. A própria popularização é o mal que atingiu o
segmento. Ora, muitas cabeças surgiram no meio, e se brincar cada uma abriu seu
portal de fotos ou notícias. As reuniões que outrora serviam de palco para
debates e prosas construtivas hoje servem apenas para abastecer as centenas de
portais espalhados pela rede. O pior não é nem isso, mas sim as discussões que
tenho visto. Não vou entrar em mais detalhes.
Claramente vejo que a busologia
está trilhando um caminho bem conhecido: da exceção, do anonimato, foi crescendo,
crescendo e hoje posso dizer que está no seu apogeu da popularidade. Porém tudo
que sobe, um dia desce. Má notícia: começo a ver a íngreme ladeira a baixo. Estamos
perdendo a qualidade, estamos perdendo escrúpulos, estamos perdendo ícones do
hobby, estamos perdendo a educação. Lamentável.
Tenho esperanças para o
setor, mas a coisa tem vida própria. Só o senhor tempo é quem dirá o que vai
acontecer com o hobby. Por enquanto, vou escrevendo essa coluna como um vovô
rabugento, na esperança de que algum dia as coisas se ajustem, até porque,
depois do apogeu pode surgir a queda ou a estabilização. Vamos torcer por esta
última, não é mesmo?
Bons fins de semana.
Rossano Varela
| Foto: Rossano Varela |
