22 de out. de 2012

#Parece grave.


Há poucos dias atrás, num ônibus, chamou-me a atenção um informe do SETURN colado num vidro que fica por trás do motorista. Ao ler, vi que se tratava de uma explicação acerca da crise que o sistema municipal de transporte coletivo por ônibus vive.

A principal bandeira do explicativo é o aumento da tarifa para a casa dos R$ 2,50. Para dar suporte, argumentou bastante: do cálculo do valor médio das tarifas nacionais até a porcentagem do aumento no preço do petróleo no mundo. Convenceu-me? Sim.  Eles realmente precisam desse aumento.

Mas a culpa de tudo isso é, em grande parte, deles, os empresários. É bem verdade que nossos gestores públicos desdenharam do sistema público de transportes na cidade do Natal, até do próprio Estado do Rio Grande do Norte. Culpo-os em parte porque o serviço é ruim, desde os anos 90.

Acabo lembrando-me da Expresso Guanabara, do Ceará. Certa vez li sua estratégia de atuação, que é, basicamente, investir quando a demanda cair. A frota dessa empresa é invejável, com ônibus muito novos e confiáveis. O passageiro então pensa: “ora, se esse serviço aqui é bom, por que deveria eu deixar de viajar por esta empresa para transitar com transporte clandestino?”. O pensamento certamente não é tão polido assim, mas é por esse caminho que a coisa anda.
            
Aqui em Natal, e no RN, os empresários foram, ao longo do tempo, prestando serviços tão ruins que o passageiro migrou para o transporte individual. Na escala estadual idem. É claro, exceções existem, mas vamos olhar para o todo. Paralelo à má qualidade do transporte público, novas políticas econômicas viabilizaram o automóvel particular para uma larga parcela da sociedade. Uma grande reação em cadeia.
            
A licitação que está prestes (há anos, claro) a acontecer deve melhorar o sistema. Para os empresários. É claro, ele será modernizado, logisticamente, onde deverá haver uma melhor distribuição de linhas e consequentemente uma maior área de cobertura, ou seja, bom para o usuário, também. Mas e a qualidade do transporte em sua mais simples essência? A julgar pelas capitais próximas à Natal, não me animo nem um pouco.
            
Podem criticar minhas posições, me chamem de sonhador! Para mim, transporte público de qualidade é feito com ônibus piso baixo, com suspensão pneumática e ar condicionado. Não conheço nenhuma cidade nordestina que utilize esse tipo de ônibus (é falta de conhecimento mesmo, então, se estiver errado, corrijam-me), pelo contrário, vejo milhares de OF-1722 (calma, só o citei porque é o mais vendido) fazendo o transporte de passageiros em capitais cujas linhas já foram licitadas. Não tenho nada contra a marca que oferece o produto, mas sim contra o empresário que o compra. É barato, é. Confiável? Muito. Econômico? Até demais. Os empresários o amam. Mas é bom para o passageiro? Não. Até que me provem do contrário.
            
Esse papo todo é para expressar minha preocupação com a qualidade essencial do nosso transporte público por ônibus. Se empresários e gestores públicos querem atrair passageiros para o sistema, que o ônibus seja melhor que o automóvel de passeio deles. Isso não é feito com ônibus baratos. Vicente Alves Flor, um dos fundadores da empresa que eu mais admirei na vida, visionário, ousado e comprometido com o passageiro, já via, nos anos 90, vantagens operacionais em veículos que, apesar de caros, fizeram a fama da empresa, que repercute até hoje (aposto que você já ouviu alguém falar dos Volvos da Riograndense). É assim que eu penso.

Boas semanas!
Rossano Varela



Nota: pessoal, desculpem o atraso nesta publicação. Tenho enfrentado alguns problemas com meu computador pessoal, e com minha conexão com a internet. Vou trabalhar para eliminar esses problemas.

Um comentário:

  1. Meus parabéns amigão. Muito bonito o seu texto e seu proposito em conxtualizar o transporte. Estou adimirado com tanha ousadia em sua palavra que resumem e realidade do nosso transporte.

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