27 de ago. de 2012

#Um pouco de nostalgia



            Eu sou nostálgico! Demais! Entre muitas nostalgias minhas, a que eu mais gosto é ver fotografias antigas, sobretudo da minha querida Natal. Mas existe um tipo de fotografia antiga da cidade do sol que eu sou definitivamente fanático: fotografias de ônibus de Natal. Quando eu vejo nos portais especializados em ônibus de Natal uma foto antiga de algum ônibus ou empresa já inoperantes, fico em estado de estase. É mágico, simplesmente mágico. Para completar o clima de nostalgia, coloco para tocar uma música daquelas bem antigas, no máximo do começo dos anos 90. Eis um passatempo maravilhoso.
           Nesses dias estava eu mergulhado nessa magia e de repente caio em reflexão. Dei-me conta que eu estou no passado de algum futuro. E questionei-me, “o que estou plantando agora para colher depois?”. Essa pergunta refere-se, principalmente, à minha atuação dentro do universo dos especialistas em ônibus. Daqui a alguns anos o Spectrum City que eu ando estará presente somente por fotografias. Aliás, o Alpha, que nas empresas daqui muito me fez raiva, já virou história, tornou-se uma recordação. Outra grande entrada para a história foi a Riograndense, que faliu recentemente. Foi indiscutivelmente uma “pequena gigante”, que no seu auge transportou muitas vidas com muito conforto e carinho. O 1180, um discreto Busscar de 1994, que eu também amei e odiei virou história. Talvez eu ainda o veja rodando por aí, mas nunca será como antes.
          Toda essa conversa é para refletirmos sobre nossas ações, enquanto especialistas de ônibus. Nossas atitudes devem ser pensadas olhando para frente, pensando em como meu sopro hoje poderá se tornar um furacão amanhã. Alguns podem até pensar que estou, nas entrelinhas, recriminando alguém ou alguma atitude, porém, estarão enganados. Estou ausente dos bastidores da comunidade. Tive apenas o desejo de compartilhar com vocês essa pequena reflexão, mas, se servir para o crescimento de nosso hobby, amém.
     Como essas palavras vieram do coração, estão simples e não demoram. Vamos aproveitar todas as grandes mudanças que estão acontecendo nos transportes coletivos da nossa cidade! Temos novas pinturas, novos ônibus e novas ordens também. Infelizmente a política ainda invade nossa atuação, onde eu mesmo critico muitas coisas que poderiam ser vistas de um ângulo mais “apaixonado” pela coisa, isso, é claro, sem perder a razão. Enfim, vamos curtir mais nossos parceiros de passatempo, ou quem sabe aquele Torino G6 (não existe G7!) que é para nós hoje o que o LN foi nos anos 90, por exemplo.

Boa semana!
Rossano Varela

Foto resgatada do Diário do Natal - Abril/2011


18 de ago. de 2012

#Até mais ver.


É com a sensação de falar de alguém querido que morreu recentemente que hoje eu falo da Viação Riograndense. Fui pego de surpresa no último domingo, dia 12 de Agosto de 2012, uma data que marcou a entrada de uma gloriosa empresa na história.
                A Riograndense foi para mim a única empresa de Natal e Região Metropolitana a ter personalidade. Foi uma empresa viva, cujo no nome sente-se o peso, uma diferença inexplicável, é como se o Sr. Vicente Alves Flor tivesse amado tanto sua empresa que ela criou vida. Nenhuma outra teve essa capacidade, nem mesmo a Guanabara do Sr. Olinto.
                Empresas de ônibus têm o poder de marcar vidas, gerações. Não conheço sequer um potiguar com mais de trinta anos que não tenha ao menos uma recordação da Riograndense. E a fantástica empresa fundada em 1951 marcou muito bem a vida dos potiguares. Nos anos 90 chegou a ser a melhor empresa de ônibus do estado, mérito de uma administração apaixonada pelo que fazia e pelos excelentes ônibus que tinha, sobretudo os Volvo.
                Eu tive a oportunidade de ser cliente dela em 2010, quando passei a utilizar a linha 132, a mais recente a ser operada pela empresa. Infelizmente já a utilizei quando a crise rodava junto com seus carros. Essa crise pode ter começado a partir da eclosão dos “loteiros”, em meados de 1999, ou também a partir do falecimento de seu fundador. Não se sabe ao certo o que houve.
                Apesar de seu histórico de glória a Riograndense vinha prestando serviços deficientes aos seus clientes, com ônibus de tecnologias defasadas, mal conservados e de manutenção falha. Atolada em dívidas tributárias na casa dos milhões, sem condições de adquirir novos veículos, a “marronzinha”, como era chamada por alguns usuários leigos no assunto, não aguentou e fechou as portas.
                Vai fazer muita falta para mim, porque apesar das dificuldades era a única empresa de ônibus que eu realmente amava e queria ver no sucesso. Para completar minha tristeza vejo as outras empresas potiguares sendo compradas por grupos que não entendem nada de sentimentos, senão de números. Tudo bem, capitalismo. Mas precisa tanta “frieza operacional”? Nunca fui favorável à compra das empresas potiguares por grupos de fora.
                Restam agora algumas poucas empresas de ônibus rodoviários genuinamente potiguares, e de Natal mesmo, só Via Sul (a mais próxima da Riograndense) e a Cidade das Dunas/do Natal, que espero que assuma algumas linhas da extinta empresa. Vou torcer para que estas prossigam prestando um serviço bom e que não precisem ser vendidas a grupos de fora do estado.
                Então vamos andando que a vida continua. Quem sabe um dia a Riograndense volta às ruas? Prefiro encarar esse final apenas como uma pausa. Uma empresa como ela não some simplesmente.

Bons finais de semana.
Rossano Varela

Foto: Rossano Varela


11 de ago. de 2012

#É cultural.


Olá pessoal. Paira em Natal a polêmica da retirada dos cobradores de algumas linhas da capital. Os especialistas em transportes permanecem divididos, onde alguns se mostram favoráveis à extinção da função, outros indiferentes ou desfavoráveis à extinção do cargo em questão. Chegou a hora de dar minha opinião.
Primeiramente, o cargo de cobrador está em extinção. Fato. É aquela função onde a tecnologia acaba substituindo o homem. Antigamente, inclusive aqui em Natal, os semáforos eram operados manualmente por um “guarda”, que ficava exatamente no centro do cruzamento. Há quantos anos não vemos um desses? Acendedor de poste. Na rua de vocês tem algum?
Cidades como Nova Iorque, Estocolmo, Berlin, Paris, entre milhares de outras, não possuem cobrador em seus ônibus, e olhe que uma linha em Manhattan deve ter bem mais demanda que uma linha 73 da vida. Eles têm tecnologia que substitui com louvor a presença de um cobrador. Em recente leitura à coluna Garagem.com, de Thiago Martins, vi que ele tratou a profissão do trocador, como é chamada em outras cidades brasileiras, como uma questão cultural. Concordo em grau, gênero e número. É pura questão cultural! Já vejo muitos cobradores ociosos em viagens, aonde os mesmos chegam até a cochilar. O mesmo que aconteceu nas cidades acima citadas aconteceu em Natal: a bilhetagem eletrônica neutralizou a função do cobrador.
Há quem diga que é perigoso o motorista ocupar as duas funções. Sinceramente, nem vejo o ato de receber R$ 5,00 e trocar R$ 2,80 como uma função trabalhista. O motorista ganhou mais uma tarefa, só isso. Dizem que dirigir trocando a passagem é perigoso. Nisso eu concordo, mas a solução é simples: passa o troco parado! Cria-se uma regra interna para que essa medida seja cumprida. Esse argumento de perigo não me convence. Além de tudo isso, a tendência é de haver cada vez menos dinheiro em espécie nos ônibus, por questões de comodidade e segurança.
Leitores, acostumem-se com a ideia de apenas motoristas nos ônibus. O cobrador chegará ao fim, assim como o operador de semáforo chegou e o acendedor de postes também. Não sou contra o profissional, inclusive por muito tempo quis vê-los nas linhas semiurbanas, mas percebi que é uma evolução que está acontecendo. Polêmico não é? Essa discussão não para por aqui, portanto, até a próxima.

Bons finais de semana!
Rossano Varela

Operador de semáforo no cruzamento das Avenidas João Pessoa e Rio Branco.  Foto: Hart Preston - Life

Comunicado

Em virtude do retorno das aulas na Universidade, ficou inviável publicar os textos às 22h das sextas, pois nesse horário ainda estou em sala de aula, logo, as publicações serão feitas na madrugada dos sábados. Recomendo a leitura no sábado pela manhã. Conto com a compreensão de todos.

3 de ago. de 2012

#Voltar para avançar!


                Olá pessoal! Sexta passada vocês puderam ler aquele texto que fiz submetido a um nível elevado de estresse. No dia seguinte refleti muito, não só sobre o escrito, e cheguei à conclusão de que caminhei por um caminho complicado: política. Sinto que politizei demais a “coisa”. É difícil continuar nesse sentido porque eu acabo esquecendo coisas simples que um busólogo pode fazer, e que eu fazia antigamente. Vou compartilhar algumas com vocês.
                Quando eu tinha sete anos tinha uma mania muito curiosa: assim que descia do ônibus ficava a olhar para a traseira do mesmo. Não lembro qual o objetivo, mas essa mania estava associada ao modelo de carroceria Vitória, da Caio, que possuía alguns detalhes que eu tinha incontrolável vontade de olhar, como os diferentes para-choques que o modelo teve, assim como as plaquinhas “mantenha distância” e “Mercedes-Benz”.
                Já mais velho, eu sentia uma sensação verdadeiramente mágica ao andar nos ônibus e ouvir o ronco do motor. O Guanabara 1221 dava um show de magia. Falando em Alpha, lembro-me bem do ano em que os primeiros Mercedes-Benz OF-1721 chegaram a Transportes Guanabara, e se não bastasse o chassi, então novidade, a carroceria trazia algumas mudanças visuais que o deixavam mais “malvado” do que a versão de 1996. Esses mesmos Alphas chegaram a rodar sem emplacamento e uma das coisas que eu mais gostava neles era a lanterna traseira, que não era fumê, como a primeira versão. Infelizmente a Guanabara foi trocando pelas lanternas escurecidas, até que os modelos perderam seu charme de outrora.
                Eu viajava muito de ônibus rodoviário. Cabral, Jardinense, Riograndense, Alves e principalmente, Queiroz e Melo, que depois virou Transul para então tornar-se Oceano. Aproveitei uma época boa para as empresas de ônibus intermunicipais. Era mágico entrar na Rodoviária, e eu adorava ver os guichês das empresas, onde cada um deles ostentava na fachada o nome da empresa e os destinos, internamente, havia pelo menos uma foto de um ônibus da empresa. Essa foto ficava num quadro médio, e o que mais me marcou foi o da Alves, onde um Viaggio fazia pose numa estrada com flores no canteiro ao pôr-do-sol.
                Essas são pequenas lembranças que tenho da minha vida de busólogo. São simples, mas carregadas de amor pelo ônibus, o aparelho. Creio que esse é o caminho certo a se seguir. Independente do sistema ultrapassado que temos, é preciso renovar o amor e a admiração que temos por cada ônibus, pois eles são a razão do nosso passatempo.
                É um desafio. Estou me esforçando para superar a doença que o bichinho verde da política transmite. Hoje, embora tenha pego um 132 por volta das 17:20h, ter viajado em pé de Petrópolis até Cidade das Rosas, ter pego dois congestionamentos, do ônibus estar lotado a ponto do motorista queimar parada para então, às 19h, ter finalmente chegado em casa, fiquei tranquilo, curtindo o Apache S21 e pensando nesse texto que vocês leram.

Bons finais de semana!

Rossano Varela

Foto por Rossano Varela - Natal/2010