18 de ago. de 2012

#Até mais ver.


É com a sensação de falar de alguém querido que morreu recentemente que hoje eu falo da Viação Riograndense. Fui pego de surpresa no último domingo, dia 12 de Agosto de 2012, uma data que marcou a entrada de uma gloriosa empresa na história.
                A Riograndense foi para mim a única empresa de Natal e Região Metropolitana a ter personalidade. Foi uma empresa viva, cujo no nome sente-se o peso, uma diferença inexplicável, é como se o Sr. Vicente Alves Flor tivesse amado tanto sua empresa que ela criou vida. Nenhuma outra teve essa capacidade, nem mesmo a Guanabara do Sr. Olinto.
                Empresas de ônibus têm o poder de marcar vidas, gerações. Não conheço sequer um potiguar com mais de trinta anos que não tenha ao menos uma recordação da Riograndense. E a fantástica empresa fundada em 1951 marcou muito bem a vida dos potiguares. Nos anos 90 chegou a ser a melhor empresa de ônibus do estado, mérito de uma administração apaixonada pelo que fazia e pelos excelentes ônibus que tinha, sobretudo os Volvo.
                Eu tive a oportunidade de ser cliente dela em 2010, quando passei a utilizar a linha 132, a mais recente a ser operada pela empresa. Infelizmente já a utilizei quando a crise rodava junto com seus carros. Essa crise pode ter começado a partir da eclosão dos “loteiros”, em meados de 1999, ou também a partir do falecimento de seu fundador. Não se sabe ao certo o que houve.
                Apesar de seu histórico de glória a Riograndense vinha prestando serviços deficientes aos seus clientes, com ônibus de tecnologias defasadas, mal conservados e de manutenção falha. Atolada em dívidas tributárias na casa dos milhões, sem condições de adquirir novos veículos, a “marronzinha”, como era chamada por alguns usuários leigos no assunto, não aguentou e fechou as portas.
                Vai fazer muita falta para mim, porque apesar das dificuldades era a única empresa de ônibus que eu realmente amava e queria ver no sucesso. Para completar minha tristeza vejo as outras empresas potiguares sendo compradas por grupos que não entendem nada de sentimentos, senão de números. Tudo bem, capitalismo. Mas precisa tanta “frieza operacional”? Nunca fui favorável à compra das empresas potiguares por grupos de fora.
                Restam agora algumas poucas empresas de ônibus rodoviários genuinamente potiguares, e de Natal mesmo, só Via Sul (a mais próxima da Riograndense) e a Cidade das Dunas/do Natal, que espero que assuma algumas linhas da extinta empresa. Vou torcer para que estas prossigam prestando um serviço bom e que não precisem ser vendidas a grupos de fora do estado.
                Então vamos andando que a vida continua. Quem sabe um dia a Riograndense volta às ruas? Prefiro encarar esse final apenas como uma pausa. Uma empresa como ela não some simplesmente.

Bons finais de semana.
Rossano Varela

Foto: Rossano Varela


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