É com a sensação
de falar de alguém querido que morreu recentemente que hoje eu falo da Viação
Riograndense. Fui pego de surpresa no último domingo, dia 12 de Agosto de 2012,
uma data que marcou a entrada de uma gloriosa empresa na história.
A Riograndense foi para mim a
única empresa de Natal e Região Metropolitana a ter personalidade. Foi uma
empresa viva, cujo no nome sente-se o peso, uma diferença inexplicável, é como
se o Sr. Vicente Alves Flor tivesse amado tanto sua empresa que ela criou vida.
Nenhuma outra teve essa capacidade, nem mesmo a Guanabara do Sr. Olinto.
Empresas de ônibus têm o poder
de marcar vidas, gerações. Não conheço sequer um potiguar com mais de trinta
anos que não tenha ao menos uma recordação da Riograndense. E a fantástica
empresa fundada em 1951 marcou muito bem a vida dos potiguares. Nos anos 90
chegou a ser a melhor empresa de ônibus do estado, mérito de uma administração
apaixonada pelo que fazia e pelos excelentes ônibus que tinha, sobretudo os
Volvo.
Eu tive a oportunidade de ser
cliente dela em 2010, quando passei a utilizar a linha 132, a mais recente a
ser operada pela empresa. Infelizmente já a utilizei quando a crise rodava junto
com seus carros. Essa crise pode ter começado a partir da eclosão dos “loteiros”,
em meados de 1999, ou também a partir do falecimento de seu fundador. Não se
sabe ao certo o que houve.
Apesar de seu histórico de
glória a Riograndense vinha prestando serviços deficientes aos seus clientes,
com ônibus de tecnologias defasadas, mal conservados e de manutenção falha. Atolada
em dívidas tributárias na casa dos milhões, sem condições de adquirir novos
veículos, a “marronzinha”, como era chamada por alguns usuários leigos no
assunto, não aguentou e fechou as portas.
Vai fazer muita falta para mim,
porque apesar das dificuldades era a única empresa de ônibus que eu realmente
amava e queria ver no sucesso. Para completar minha tristeza vejo as outras
empresas potiguares sendo compradas por grupos que não entendem nada de
sentimentos, senão de números. Tudo bem, capitalismo. Mas precisa tanta “frieza
operacional”? Nunca fui favorável à compra das empresas potiguares por grupos
de fora.
Restam agora algumas poucas
empresas de ônibus rodoviários genuinamente potiguares, e de Natal mesmo, só
Via Sul (a mais próxima da Riograndense) e a Cidade das Dunas/do Natal, que
espero que assuma algumas linhas da extinta empresa. Vou torcer para que estas
prossigam prestando um serviço bom e que não precisem ser vendidas a grupos de
fora do estado.
Então vamos andando que a vida
continua. Quem sabe um dia a Riograndense volta às ruas? Prefiro encarar esse
final apenas como uma pausa. Uma empresa como ela não some simplesmente.
Bons finais de
semana.
Rossano Varela
| Foto: Rossano Varela |
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