Há poucos dias atrás, num ônibus,
chamou-me a atenção um informe do SETURN colado num vidro que fica por trás do
motorista. Ao ler, vi que se tratava de uma explicação acerca da crise que o
sistema municipal de transporte coletivo por ônibus vive.
A
principal bandeira do explicativo é o aumento da tarifa para a casa dos R$
2,50. Para dar suporte, argumentou bastante: do cálculo do valor médio das
tarifas nacionais até a porcentagem do aumento no preço do petróleo no mundo.
Convenceu-me? Sim. Eles realmente
precisam desse aumento.
Mas
a culpa de tudo isso é, em grande parte, deles, os empresários. É bem verdade
que nossos gestores públicos desdenharam do sistema público de transportes na
cidade do Natal, até do próprio Estado do Rio Grande do Norte. Culpo-os em
parte porque o serviço é ruim, desde os anos 90.
Acabo
lembrando-me da Expresso Guanabara, do Ceará. Certa vez li sua estratégia de
atuação, que é, basicamente, investir quando a demanda cair. A frota dessa
empresa é invejável, com ônibus muito novos e confiáveis. O passageiro então
pensa: “ora, se esse serviço aqui é bom, por que deveria eu deixar de viajar
por esta empresa para transitar com transporte clandestino?”. O pensamento
certamente não é tão polido assim, mas é por esse caminho que a coisa anda.
Aqui
em Natal, e no RN, os empresários foram, ao longo do tempo, prestando serviços
tão ruins que o passageiro migrou para o transporte individual. Na escala
estadual idem. É claro, exceções existem, mas vamos olhar para o todo. Paralelo
à má qualidade do transporte público, novas políticas econômicas viabilizaram o
automóvel particular para uma larga parcela da sociedade. Uma grande reação em
cadeia.
A
licitação que está prestes (há anos, claro) a acontecer deve melhorar o
sistema. Para os empresários. É claro, ele será modernizado, logisticamente,
onde deverá haver uma melhor distribuição de linhas e consequentemente uma
maior área de cobertura, ou seja, bom para o usuário, também. Mas e a qualidade
do transporte em sua mais simples essência? A julgar pelas capitais próximas à
Natal, não me animo nem um pouco.
Podem
criticar minhas posições, me chamem de sonhador! Para mim, transporte público
de qualidade é feito com ônibus piso baixo, com suspensão pneumática e ar
condicionado. Não conheço nenhuma cidade nordestina que utilize esse tipo de
ônibus (é falta de conhecimento mesmo, então, se estiver errado, corrijam-me),
pelo contrário, vejo milhares de OF-1722 (calma, só o citei porque é o mais
vendido) fazendo o transporte de passageiros em capitais cujas linhas já foram
licitadas. Não tenho nada contra a marca que oferece o produto, mas sim contra
o empresário que o compra. É barato, é. Confiável? Muito. Econômico? Até
demais. Os empresários o amam. Mas é bom para o passageiro? Não. Até que me provem
do contrário.
Esse
papo todo é para expressar minha preocupação com a qualidade essencial do nosso
transporte público por ônibus. Se empresários e gestores públicos querem atrair
passageiros para o sistema, que o ônibus seja melhor que o automóvel de passeio
deles. Isso não é feito com ônibus baratos. Vicente Alves Flor, um dos
fundadores da empresa que eu mais admirei na vida, visionário, ousado e
comprometido com o passageiro, já via, nos anos 90, vantagens operacionais em
veículos que, apesar de caros, fizeram a fama da empresa, que repercute até
hoje (aposto que você já ouviu alguém falar dos Volvos da Riograndense). É
assim que eu penso.
Boas semanas!
Rossano Varela
Nota: pessoal, desculpem o atraso
nesta publicação. Tenho enfrentado alguns problemas com meu computador pessoal,
e com minha conexão com a internet. Vou trabalhar para eliminar esses
problemas.
Meus parabéns amigão. Muito bonito o seu texto e seu proposito em conxtualizar o transporte. Estou adimirado com tanha ousadia em sua palavra que resumem e realidade do nosso transporte.
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