19 de nov. de 2012

#Uma boa alternativa? - Parte 2


Dando continuidade ao texto da semana passada, vamos dar mais uma olhada no tema sobre a relação entre opcionais e ônibus convencionais, explorando alguns detalhes dessa união.
         
Como já havia dito, vejo que num futuro próximo os alternativos e convencionais irão andar de mãos dadas, porém, para que isso aconteça beneficiando o cliente é preciso focar na qualidade e na racionalidade do sistema como um todo.
            
É sabido por todos que os nossos alternativos urbanos não são uma boa alternativa, onde, seja por falta de fiscalização ou pura irresponsabilidade, os permissionários abusam do bom senso, guiando imprudentemente veículos em péssimo estado de conservação, tratando mal o passageiro e desrespeitando horários de saída e chegada ao terminal deles. Para que o casamento aconteça é preciso mudar a postura.
            
Há outro fator que precisa ser levado em conta: o bilhete único. Ora, em muitas cidades de outros países, até mesmo cidades brasileiras, há um único bilhete para todo o sistema de transporte público, que na maioria das vezes engloba ônibus e trens. Na França, por exemplo, é possível comprar o bilhete único em qualquer quiosque na rua, parecido com o cartão telefônico no Brasil, há algum tempo atrás. Já caminhamos para esse bilhete único, mas a burocracia e, principalmente, o “desgoverno” do Rio Grande do Norte tornam uma implantação simples numa construção de aeroporto. Há esperança.
           
Com um sistema inteligente e voltado para o bem estar do usuário (e não para a redução do custo operacional das empresas), certamente veremos nossas ruas com menos veículos de passeio, com pessoas mais tranquilas (pois sem engarrafamentos os atrasos ficam menores), com ônibus de qualidade levando e trazendo com conforto, segurança e rapidez. O nome disso é desenvolvimento.
            
Aguardemos pois as grandes mudanças que estão prestes a acontecer em Natal. Torçamos para que os gestores criem políticas de incentivo ao transporte público, para que os empresários entendam que transportar bem é melhor que transportar muito. Que todos deem as mãos para promover o melhor transporte público para mim e para você.

Boas semanas!

Rossano Varela

11 de nov. de 2012

#Uma boa alternativa? - Parte 1


Confesso-lhes que nunca fui muito simpático com o transporte alternativo em Natal, tampouco com os intermunicipais, mas nesses últimos dias esse segmento do transporte público de passageiros vem chamando minha atenção e até conquistando minha simpatia. Basicamente, deixei o preconceito em busca de conceitos.

Se não me falha a memória esse tipo de transporte surgiu, ou pelo menos eclodiu, a partir da segunda metade da década de noventa, principalmente através das famosas Kia Besta e Sprinter, sendo a primeira a responsável pelo apelido que até bem pouco tempo atrás reinava nas ruas: independente do modelo, qualquer alternativo era chamado de “besta”, algo semelhante aos “Topiqueiros” de Fortaleza (imagino que seja uma referência ao modelo Asia Topic, concorrente direto da Besta na época).
                
Os alternativos também foram motivo de fechamento de várias empresas de ônibus, bem como do início das crises que algumas até hoje sofrem. Por preços mais baixos e com mais agilidade, até mesmo com mais conforto, eles conquistaram muitos clientes que outrora dependiam exclusivamente das empresas de ônibus convencionais. Os órgãos gestores também tiveram sua grande parcela de culpa.
                
Hoje o cenário está mais confuso, onde em Natal o transporte alternativo está em crise, assim como as empresas convencionais, e nas demais cidades do estado estão em aparente ascensão, enquanto que as empresas intermunicipais estão em declínio.
                
Enfim, olhando para frente, acredito que tanto o transporte convencional quanto o alternativo poderão enfim dar as mãos. A licitação das linhas urbanas de Natal prega que os ônibus ficarão responsáveis pelos trajetos mais longos enquanto que os opcionais cuidariam do transporte bairro a bairro. Acho uma excelente ideia. Com relação aos que fazem o transporte intermunicipal, poderia ser feito o mesmo, onde os ônibus convencionais fariam trajetos para cidades polo e os alternativos fariam o transporte destas para os municípios adjacentes.
                
Há logica nisso, concordam? Na parte seguinte a discussão será aprofundada.

Boas semanas!
Rossano Varela.

Foto: Rossano Varela

27 de out. de 2012

#Tudo que sobe...


Ultimamente, em meus passeios pela rede, tenho presenciado muitas discussões em grupos de busólogos. Conheci novos termos, como “bozólogo”, forma pejorativa de se dirigir a alguns admiradores de ônibus um pouco mais exagerados, pelo menos foi o que entendi. Mas o que percebi claramente foi a popularização que o hobby sofreu nos últimos meses.
                
Faz pouco tempo que voltei ao cenário da prática e cada vez mais tenho me dado conta de que as coisas mudaram. De repente me sinto um vovô bem antiquado num contexto de muitos jovens busólogos, cheios de energia e pique que eu não tenho mais. Enfim, a busologia se popularizou, e essa popularização trouxe consigo coisas boas e coisas más.
                
Acredito que uma das melhores coisas que aconteceram foi o conhecimento da “causa” por parte das empresas de ônibus, e da própria sociedade. Certamente hoje é muito mais fácil fotografar um ônibus do que na minha “época”. Lembro-me que quando eu tirava fotos de ônibus o fazia quase como um detetive, olhando para todos os lados para garantir que ninguém estava prestando atenção em mim. Só tirava fotos mais tranquilo quando estava em grupo. O medo de algum motorista parar a máquina para questionar o porquê da foto era grande. Ainda hoje preservo essa característica.
                
Se por um lado a popularização da prática trouxe benefícios, como o citado no parágrafo anterior, por outro trouxe certo prejuízo ao hobby. A própria popularização é o mal que atingiu o segmento. Ora, muitas cabeças surgiram no meio, e se brincar cada uma abriu seu portal de fotos ou notícias. As reuniões que outrora serviam de palco para debates e prosas construtivas hoje servem apenas para abastecer as centenas de portais espalhados pela rede. O pior não é nem isso, mas sim as discussões que tenho visto. Não vou entrar em mais detalhes.
                
Claramente vejo que a busologia está trilhando um caminho bem conhecido: da exceção, do anonimato, foi crescendo, crescendo e hoje posso dizer que está no seu apogeu da popularidade. Porém tudo que sobe, um dia desce. Má notícia: começo a ver a íngreme ladeira a baixo. Estamos perdendo a qualidade, estamos perdendo escrúpulos, estamos perdendo ícones do hobby, estamos perdendo a educação. Lamentável.
                
Tenho esperanças para o setor, mas a coisa tem vida própria. Só o senhor tempo é quem dirá o que vai acontecer com o hobby. Por enquanto, vou escrevendo essa coluna como um vovô rabugento, na esperança de que algum dia as coisas se ajustem, até porque, depois do apogeu pode surgir a queda ou a estabilização. Vamos torcer por esta última, não é mesmo? 

Bons fins de semana.

Rossano Varela


Foto: Rossano Varela

22 de out. de 2012

#Parece grave.


Há poucos dias atrás, num ônibus, chamou-me a atenção um informe do SETURN colado num vidro que fica por trás do motorista. Ao ler, vi que se tratava de uma explicação acerca da crise que o sistema municipal de transporte coletivo por ônibus vive.

A principal bandeira do explicativo é o aumento da tarifa para a casa dos R$ 2,50. Para dar suporte, argumentou bastante: do cálculo do valor médio das tarifas nacionais até a porcentagem do aumento no preço do petróleo no mundo. Convenceu-me? Sim.  Eles realmente precisam desse aumento.

Mas a culpa de tudo isso é, em grande parte, deles, os empresários. É bem verdade que nossos gestores públicos desdenharam do sistema público de transportes na cidade do Natal, até do próprio Estado do Rio Grande do Norte. Culpo-os em parte porque o serviço é ruim, desde os anos 90.

Acabo lembrando-me da Expresso Guanabara, do Ceará. Certa vez li sua estratégia de atuação, que é, basicamente, investir quando a demanda cair. A frota dessa empresa é invejável, com ônibus muito novos e confiáveis. O passageiro então pensa: “ora, se esse serviço aqui é bom, por que deveria eu deixar de viajar por esta empresa para transitar com transporte clandestino?”. O pensamento certamente não é tão polido assim, mas é por esse caminho que a coisa anda.
            
Aqui em Natal, e no RN, os empresários foram, ao longo do tempo, prestando serviços tão ruins que o passageiro migrou para o transporte individual. Na escala estadual idem. É claro, exceções existem, mas vamos olhar para o todo. Paralelo à má qualidade do transporte público, novas políticas econômicas viabilizaram o automóvel particular para uma larga parcela da sociedade. Uma grande reação em cadeia.
            
A licitação que está prestes (há anos, claro) a acontecer deve melhorar o sistema. Para os empresários. É claro, ele será modernizado, logisticamente, onde deverá haver uma melhor distribuição de linhas e consequentemente uma maior área de cobertura, ou seja, bom para o usuário, também. Mas e a qualidade do transporte em sua mais simples essência? A julgar pelas capitais próximas à Natal, não me animo nem um pouco.
            
Podem criticar minhas posições, me chamem de sonhador! Para mim, transporte público de qualidade é feito com ônibus piso baixo, com suspensão pneumática e ar condicionado. Não conheço nenhuma cidade nordestina que utilize esse tipo de ônibus (é falta de conhecimento mesmo, então, se estiver errado, corrijam-me), pelo contrário, vejo milhares de OF-1722 (calma, só o citei porque é o mais vendido) fazendo o transporte de passageiros em capitais cujas linhas já foram licitadas. Não tenho nada contra a marca que oferece o produto, mas sim contra o empresário que o compra. É barato, é. Confiável? Muito. Econômico? Até demais. Os empresários o amam. Mas é bom para o passageiro? Não. Até que me provem do contrário.
            
Esse papo todo é para expressar minha preocupação com a qualidade essencial do nosso transporte público por ônibus. Se empresários e gestores públicos querem atrair passageiros para o sistema, que o ônibus seja melhor que o automóvel de passeio deles. Isso não é feito com ônibus baratos. Vicente Alves Flor, um dos fundadores da empresa que eu mais admirei na vida, visionário, ousado e comprometido com o passageiro, já via, nos anos 90, vantagens operacionais em veículos que, apesar de caros, fizeram a fama da empresa, que repercute até hoje (aposto que você já ouviu alguém falar dos Volvos da Riograndense). É assim que eu penso.

Boas semanas!
Rossano Varela



Nota: pessoal, desculpem o atraso nesta publicação. Tenho enfrentado alguns problemas com meu computador pessoal, e com minha conexão com a internet. Vou trabalhar para eliminar esses problemas.

14 de out. de 2012

#Cadê a mágica?


Na última semana eu assisti a um vídeo protagonizando antigos ônibus da Viação Itapemirim, com uma excelente música ao fundo, diga-se de passagem. A empresa de Cachoeiro do Itapemirim, Espírito Santo, é inegavelmente um dos maiores ícones do transporte brasileiro e é uma das poucas a terem milhares de fãs, fato justificado pelo tamanho da empresa e sua área de cobertura, claro (além dos ônibus que ela mesma fabricou).

Vejo, porém, muita crítica aos amantes da Itapemirim na internet, sobretudo por causa de suas posições um pouco “exageradas” quanto à Mirim. Reconheço que há exagerados mesmo, mas na maioria desses fãs vejo uma mágica no ar quando a empresa está no foco. Eu mesmo me contagiei por essa mágica, embora me veja apenas como um admirador da companhia, mais pela forma de operar que propriamente por seus ônibus.

Essa mágica, porém, não sinto pelas empresas mais próximas a mim, ou seja, as natalenses. Houve um tempo em que isso existiu, nos anos 90. Quando eu ia para a Rodoviária era como se o Céu tivesse descido à Terra. Até mesmo antes de chegar, quando eu e minha família pegávamos o “Amarante – Rodoviária”, na época ainda com a pintura predominantemente laranja e prata da Transportes Guanabara num pequenino Caio Amélia.  Lindas pinturas, lindos ônibus, que mágico!

Passado os anos, vejo as empresas em crise, economizando em tudo que podem, nas pinturas, na compra de chassis (preferem os mais “baratos” e despojados) e na compra de carrocerias. Tudo ficou tão técnico, até mesmo nós, especialistas em ônibus (que antes se orgulhavam de se autodenominar “busólogos”). Então eu pergunto onde foi parar a mágica?

Eu não sei. Mas, melhor que procurar saber onde ela foi parar, que tal saber como trazê-la de volta aos nossos dias atuais? Vamos lá, quero a opinião de vocês. Vamos interagir, queridos leitores? Vamos analisar e opinar juntos sobre esse assunto. Enviem-me suas opiniões! Podem escrever aqui mesmo nos comentários, afinal, ninguém precisa escrever um tratado, apenas dar seu parecer sobre o tema. No próximo encontro vamos debater isso virtualmente.

Bons finais de semana!
Rossano Varela

Foto: Rossano Varela

29 de set. de 2012

#Vamos em frente!

Este ano entrou para a história dos transportes. Em nível local, perdemos a gloriosa Viação Riograndense, vimos "nossas" Transportes Guanabara e Nossa Senhora da Conceição serem parcialmente vendidas a grandes grupos econômicos de Pernambuco, assistimos a protestos inéditos, com direito a ônibus queimados, bem como vivemos num tempo difícil para a querida Natal e o Rio Grande do Norte. Nacionalmente, ou melhor, mundialmente, perdemos uma grande multinacional brasileira: Busscar.  Muitos de nós, especialistas em ônibus, sofremos duros golpes da vida neste ano. Mas precisamos continuar, assim como todas as empresas que saíram de cena continuarão em nossos corações.

Então vamos dar uma aliviada hoje? Pois bem, vamos falar sobre um hobby que eu tenho além de fotografar e discutir sobre ônibus: dirigi-los! É isso mesmo, dirigir ônibus é uma coisa que eu faço pelo menos uma vez por semana. É difícil, não pensem que é só um "carro grandão". Ligar a chave geral, encher de ar o sistema de freio, ligar as luzes obrigatórias...e por aí vai. Para fazer uma curva numa rua apertada, haja paciência, fora as buzinas que acabo ouvindo atrás de mim. Tem as trancadas e os freios bruscos que os carros de passeio insistem em dar na minha frente, e nessas horas, aguenta coração! Ônibus não freiam rápido, mas usando freio-motor dá para parar sem causar nenhum acidente.

Se dirigir a máquina já não é tão fácil, fazê-lo com passageiros é ainda pior, e cumprindo horários, fica realmente "emocionante". Geralmente saio no período da tarde, pois gosto do simples prazer de ligar as luzes internas quando vai anoitecendo (coisa de apaixonado por ônibus mesmo), coloco um sonzinho ambiente bem leve para dar aquela aliviada do trânsito e então, é só lazer, ou melhor, trabalho! O problema é quando falta energia. Minha viagem é interrompida sem o menor respeito pelo motorista que vos escreve. Para a frustração ficar ainda maior, ouço no escuro minha mãe mandando eu ir procurar velas na cozinha. Complicado. 

É isso mesmo, eu dirijo ônibus em simuladores virtuais. Ainda não estou habilitado para dirigir veículos da categoria D, então resta-me o maravilhoso mundo da tecnologia, que me permite guiar uma infinidade de modelos de ônibus do mundo inteiro. Vou mostrar-lhes alguns dos jogos e simuladores que eu usei e uso para satisfazer meus desejos de ser um motorista de ônibus.

GTA 2 (jogo)

Foi o primeiro software que me permitiu dirigir um ônibus pegando passageiros. Ambientado na década de 60 (ou nos anos 50, não sei), o jogo que mais tarde tornaria-se uma febre entre os gamers ainda mostrava os veículos da perspectiva aérea. Me diverti muito com esse joguinho de 1999, ainda mais quando descobri que havia um ônibus no jogo e que este pegava passageiros. Na primeira fase ele faz um percurso "quadrado", curtinho mas divertido para um futuro especialista em ônibus de 12 anos de idade.

Ônibus presente no jogo GTA 2, da Rockstar Games - Fonte: Google



GTA Vice City (jogo)

Foi o segundo jogo onde eu encarnei um motorista de ônibus. Foi o último da série da Rockstar Games onde eu consegui pegar passageiros com um ônibus. Para saber o percurso que ele fazia tive que seguir um ônibus da inteligência artificial do título. Sabendo a rota, era só "roubar" um ônibus na rua e brincar de ser motorista. Vice City foi o melhor GTA para mim, pelas cores, pelas músicas das rádios, uma mistura fantástica que a produtora ainda não conseguiu repetir, mesmo que seus sucessores sejam muito mais avançados gráfica e fisicamente.

Ônibus de GTA Vice City, trucado e com um ronco inesquecível - Fonte: Google
Bus Driver (jogo)

Há quem diga que trata-se de um simulador. Discordo. Para mim ainda se enquadra como jogo, visto que há pontuações e objetivos a serem alcançados, além de fases para desbloquear. Foi o primeiro programa específico de ônibus que adquiri. Projetado pela mesma produtora do jogo 18 Wheels of Steel, mega sucesso para os amantes de caminhões, e que eu joguei por muito tempo, Bus Driver herdou muito do software irmão. Nele a condução do ônibus é difícil, onde o motorista deve seguir à risca os horários e deve ter muito cuidado com o bem estar dos passageiros. Joguei bastante, mas a impossibilidade de novos ônibus e de novas rotas o tornaram enfadonho para mim.

Bus Driver: é divertido, mas a rigidez do programa desestimula  - Fonte: Google

City Bus Simulator 2010 (simulador)

Agora sim, um simulador de ônibus. Embora de origem alemã, o jogo retrata a rotina de um motorista de ônibus na cidade de Nova Iorque, EUA, inclusive com direito a assaltos. Ainda existem missões nele, mas nada de escore ou fases. No simulador é possível sair de trás do volante para andar pelo corredor do ônibus GMC ou simplesmente passear pela cidade e tomar um chope ou um café (não é brincadeira, isso é possível). Graficamente, é bem real, mostrando sombras e efeitos climáticos com precisão, além de retratar com muita fidelidade o ônibus utilizado. Lançado em 2010, segue atual. Há ainda mods, ônibus adicionais, para instalar no software. Usei até cerca de um ano atrás, quando foi lançado um outro simulador, ainda mais real: OMSI.

Realismo evidente e muitas inovações no gênero, assim é City Bus Simulator 2010 - Fonte: Google

OMSI - Der Omnibussimulator (simulador)

É o meu eleito. Atual simulador que uso e que permite um grau de realismo impressionante. Na parte gráfica é inferior ao City Bus Simulator 2010, mas fisicamente é imbatível. Originalmente o jogo situa o condutor na Berlim, Alemanha, de 1989, com modelos de ônibus reais que serviram a cidade nessa época, todos da marca MAN e double-deckers. Um dos maiores trunfos de OMSI é o fato de ser relativamente fácil instalar novos ônibus e cidades no simulador. Digo "relativamente" porque a engine do software é complexa, o que explica o alto grau de realismo físico e funcional dele. Atualmente existem alguns ônibus brasileiros disponíveis para instalar, como o Marcopolo Torino GV e LN, além de alguns modelos da Caio e Busscar. Todos com sons e paineis próximos aos modelos reais. Há a possibilidade de fazer uma pintura da Riograndense, por exemplo, e aplicar num modelo do simulador, bem como alguma cidade que alguém queira inserir nele. Recomendo.

OMSI é um verdadeiro simulador de ônibus. A dificuldade no começo é recompensada pelo realismo - Fonte: Google

Existem outros programas que eu não utilizei, como o Bus Simulator, cuja qualidade não se mostrou tão alta para despertar meu interesse. Existe o famoso Mod Bus do jogo 18 Wheels of Steel Haulin, que conquistou muitos amantes de ônibus no Brasil, onde há uma empolgante variedade de ônibus brasileiros. Nunca me interessei por ele por causa da relativa complexidade na instalação, além do pouco realismo físico e auditivo. Questão de gosto, apenas.

Para finalizarmos, quero que lembremos do primeiro parágrafo, onde citei a Viação Riograndense e a Busscar, e dizer-lhes que essas empresas podem continuar no mundo virtual, em novos ônibus, em novas cidades, enfim, desfrutemos da tecnologia que está ao nosso alcance. Nunca será como antes, mas vai aliviar a saudade dessas "madames" que nos deixaram.

Bons finais de semana.
Rossano Varela

18 de set. de 2012

#Está chegando a hora!

Estava pronto para publicar na sexta passada um texto leve, para dar uma aliviada no ambiente, pesado dos dois últimos textos, ambos sobre o aumento e a diminuição da tarifa dos ônibus urbanos da cidade do Natal. Infelizmente, fui surpreendido pela notícia da suspensão da integração gratuita pelo Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos de Passageiros do Município do Natal (Seturn). Adiei a publicação, porque para mim, foi a gota d'água.

Não bastasse a frustração de não poder publicar algo prazeroso para nós, especialistas em ônibus, ainda tive muito trabalho para elaborar o texto que hoje vos escrevo. Foram vários rascunhos, não teve como não ser assim, afinal, toda a situação que a população natalense vive passou pela minha cabeça. Serviços exageradamente básicos estão sendo ofertados de modo inacreditavelmente deficiente, isso quando são oferecidos. 

Quando o assunto é transporte fico ainda mais bestificado. "Que Natal bagunçada é essa? Os empresários estão mandando na cidade agora? A Secretaria de Mobilidade Urbana (Semob) ficou refém da politicagem? E nós, população, vamos ficar "engolindo sapos" pelo resto de nossas vidas? Chega!". Calma, não estou surtando, expressei acima um sentimento que considero comum entre os cidadãos natalenses, sobretudo aqueles que utilizam o transporte público na capital e sua região metropolitana. É assim que têm surgido protestos na cidade. 

O Seturn foi longe demais. Numa atitude covarde e de cunho retaliativo, cortaram um benefício que a cidade tinha desde a gestão anterior na Prefeitura do Natal, ainda sob forma de Estações de Transferência. Pela primeira vez desde sua implantação o serviço de integração gratuita foi interrompido. Friso, porém, que o Sindicato está se arriscando muito, pois está ainda mais odiado pela população, o que pode se traduzir em retaliação. O povo vai revidar, da forma acessível a ele, e temo que isso signifique prejuízos para as empresas.

O natalense está muito sensível, mais ainda os estudantes, jovens, cheios de energia e ideologias. Estou aflito, e pela "propaganda" que tem sido feita pelas redes sociais, teremos uma manifestação mais forte do que a última que houve, a "Revolta do Busão". A Polícia Militar está armada, nos dois sentidos, os estudantes estão ainda mais revoltados, os ônibus estão nas ruas. Para bom entendedor, estas palavras bastam. Sou contra o vandalismo e a agressão física, mas nem todos pensam assim.

Um protesto está marcado para hoje, ao lado do Shopping Via Direta. A julgar pelo sucesso (?) do último movimento, Natal terá muito mais pessoas protestando nessa tarde e noite que podem entrar para a história da cidade. Espero que o faça com civilidade, paz e educação, de todas as partes. Que seja um marco para a democracia local. Mesmo com os votos, continuarei aflito até a hora em que puser os pés na minha casa porque estamos numa cidade desgovernada, e estou com medo de ouvir: "Ônibus tal, da empresa tal, foi incendiado na cidade do Natal". Estou torcendo que não, porque o caminho do desenvolvimento não é esse. 

Boa sorte para todos nós. Paz, tranquilidade, fiquemos com Deus.

Rossano Varela


8 de set. de 2012

#R$ 2,20!


         Eu não disse que a novela não havia acabado? Para nossa alegria o final foi feliz para a população natalense, pelo menos para aqueles que utilizam ônibus urbano. A população (leia-se estudantes) pressionou de todos os lados até que a câmara dos vereadores aprovou a revogação do aumento da passagem.
        Tivemos alguns ônibus pichados, alguns com dizeres ofensivos, o que não é certo, mas agradeçam os empresários por não terem nenhum de seus ônibus queimados. Foi melhor assim. Pior é em cidades como Teresina ou São Paulo, por exemplo, onde ônibus já foram queimados como forma de protestar.
           Mesmo com a sensação de vitória para a população, ainda estou incomodado com o futuro de nosso transporte público por ônibus urbano em Natal. A tarifa de R$ 2,20 não será eterna, certamente irá aumentar, ao passo que, temo eu, a qualidade de nossos ônibus permanecerá a mesma, ou talvez caia, mesmo com a licitação, que caminha a passos de tartaruga.
           Falando nela, estou aflito quanto à licitação aqui em Natal. Pelo que vejo ela tende a não beneficiar o passageiro, mas sim aos empresários. A julgar por algumas cidades do Nordeste, Natal certamente não sentirá mudanças no padrão de qualidade do serviço. Devemos permanecer com os ônibus de chassi com motorização dianteira e feixe de molas. Não sou contra o posicionamento do motor, mas esse tipo de chassi impede a construção de um ônibus plenamente acessível. O ideal é o ônibus piso baixo, o low entry, que beneficia o sistema em muitos aspectos: tempo de embarque/desembarque reduzido, fácil acesso de idosos, conforto de usuários e motoristas, modernidade e segurança no transporte. Vamos aguardar.
    Finalmente, vamos comemorar a vitória popular, onde os vereadores, por merchandising pré-eleições ou por consciência civil, revogaram um aumento inesperado e caro na tarifa do ônibus urbano. E agora, será que acabou? Acho que não.

Bons finais de semana.
Rossano Varela


Foto: Rodrigo Sena

4 de set. de 2012

#R$ 2,40!


                E que surpresa, amarga surpresa, Natal teve na última terça-feira (28). Da noite para o dia a passagem de ônibus urbano aumentou R$ 0,20 centavos, passando dos R$ 2,20 para os R$ 2,40. Complicado, muito complicado, ainda mais se levarmos em conta as variáveis de nosso sistema de transporte público.
           No dia em que o aumento entrou em vigor publiquei uma conta, mais uma brincadeira, que mostrava que um veículo de passeio, um Peugeot 106, tornara-se de melhor custo/benefício do que o ônibus, onde o pequeno automóvel francês sai mais barato, quanto a um custo direto, no caso o combustível, que o ônibus. Existem muitos outros carros ainda mais econômicos que podem apresentar uma relação ainda melhor. Enfim, o ônibus em Natal está mais caro que o carro em algumas situações.
              Seria culpa dos empresários? Não acredito nessa hipótese. Embora figurem como vilões, acredito que o aumento tenha sido justo se pensarmos nos custos que as empresas de Natal tem. Com nosso trânsito – e buracos – fica difícil obter um bom rendimento do aparelho, que é o ônibus.
              Culpa dos gestores? Agora sim, chegamos aos culpados. “Essa prefeita...”, “Mas o Governo do Estado...”: não! Não culpo a prefeita, tampouco a governadora. Lamentavelmente o Brasil incentiva o consumo de veículos particulares desde a época de Juscelino Kubitschek (historiadores e estudantes, corrijam-me se estiver errado), criando desde então uma “cultura do carro”. O erro dos nossos gestores, inclusive do governo Dilma é incentivar o uso do automóvel particular, ignorando o transporte de massa. O resultado é: cidade congestionada.
            Não bastassem os muitos automóveis, vem os ônibus de nossa capital potiguar, que não são bons. Aqui eu entro numa discussão polêmica que alguns especialistas em transporte até evitam. Já vou avisando que não estou infectado pelo preconceito, nem pela discussão de marcas, mas analisando por olhos técnicos, a má qualidade de nossos ônibus passa pelas carrocerias básicas e chassis igualmente básicos, onde, desprovidos de conforto, afastam usuários. O chassi mais presente na nossa cidade não é adequado, a meu ver, para um transporte coletivo de qualidade, sendo mera descendência de um chassi de caminhão.
         É difícil falar do assunto porque são muitas as variáveis e o assunto é extenso. Adoraria um bom debate entre os especialistas em ônibus da nossa cidade para refletirmos sobre o aumento. Além do mais, paro por aqui porque esse episódio ainda não terminou, afinal a cidade esboçou algumas manifestações e portanto, teremos novas emoções. Assim espero.

Boas semanas!
Rossano Varela
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NOTA: A próxima publicação irá acontecer no dia correto, na madrugada do sábado para visualizações logo pela manhã tomando um quentinho copo de café com leite e torradinhas. 

27 de ago. de 2012

#Um pouco de nostalgia



            Eu sou nostálgico! Demais! Entre muitas nostalgias minhas, a que eu mais gosto é ver fotografias antigas, sobretudo da minha querida Natal. Mas existe um tipo de fotografia antiga da cidade do sol que eu sou definitivamente fanático: fotografias de ônibus de Natal. Quando eu vejo nos portais especializados em ônibus de Natal uma foto antiga de algum ônibus ou empresa já inoperantes, fico em estado de estase. É mágico, simplesmente mágico. Para completar o clima de nostalgia, coloco para tocar uma música daquelas bem antigas, no máximo do começo dos anos 90. Eis um passatempo maravilhoso.
           Nesses dias estava eu mergulhado nessa magia e de repente caio em reflexão. Dei-me conta que eu estou no passado de algum futuro. E questionei-me, “o que estou plantando agora para colher depois?”. Essa pergunta refere-se, principalmente, à minha atuação dentro do universo dos especialistas em ônibus. Daqui a alguns anos o Spectrum City que eu ando estará presente somente por fotografias. Aliás, o Alpha, que nas empresas daqui muito me fez raiva, já virou história, tornou-se uma recordação. Outra grande entrada para a história foi a Riograndense, que faliu recentemente. Foi indiscutivelmente uma “pequena gigante”, que no seu auge transportou muitas vidas com muito conforto e carinho. O 1180, um discreto Busscar de 1994, que eu também amei e odiei virou história. Talvez eu ainda o veja rodando por aí, mas nunca será como antes.
          Toda essa conversa é para refletirmos sobre nossas ações, enquanto especialistas de ônibus. Nossas atitudes devem ser pensadas olhando para frente, pensando em como meu sopro hoje poderá se tornar um furacão amanhã. Alguns podem até pensar que estou, nas entrelinhas, recriminando alguém ou alguma atitude, porém, estarão enganados. Estou ausente dos bastidores da comunidade. Tive apenas o desejo de compartilhar com vocês essa pequena reflexão, mas, se servir para o crescimento de nosso hobby, amém.
     Como essas palavras vieram do coração, estão simples e não demoram. Vamos aproveitar todas as grandes mudanças que estão acontecendo nos transportes coletivos da nossa cidade! Temos novas pinturas, novos ônibus e novas ordens também. Infelizmente a política ainda invade nossa atuação, onde eu mesmo critico muitas coisas que poderiam ser vistas de um ângulo mais “apaixonado” pela coisa, isso, é claro, sem perder a razão. Enfim, vamos curtir mais nossos parceiros de passatempo, ou quem sabe aquele Torino G6 (não existe G7!) que é para nós hoje o que o LN foi nos anos 90, por exemplo.

Boa semana!
Rossano Varela

Foto resgatada do Diário do Natal - Abril/2011


18 de ago. de 2012

#Até mais ver.


É com a sensação de falar de alguém querido que morreu recentemente que hoje eu falo da Viação Riograndense. Fui pego de surpresa no último domingo, dia 12 de Agosto de 2012, uma data que marcou a entrada de uma gloriosa empresa na história.
                A Riograndense foi para mim a única empresa de Natal e Região Metropolitana a ter personalidade. Foi uma empresa viva, cujo no nome sente-se o peso, uma diferença inexplicável, é como se o Sr. Vicente Alves Flor tivesse amado tanto sua empresa que ela criou vida. Nenhuma outra teve essa capacidade, nem mesmo a Guanabara do Sr. Olinto.
                Empresas de ônibus têm o poder de marcar vidas, gerações. Não conheço sequer um potiguar com mais de trinta anos que não tenha ao menos uma recordação da Riograndense. E a fantástica empresa fundada em 1951 marcou muito bem a vida dos potiguares. Nos anos 90 chegou a ser a melhor empresa de ônibus do estado, mérito de uma administração apaixonada pelo que fazia e pelos excelentes ônibus que tinha, sobretudo os Volvo.
                Eu tive a oportunidade de ser cliente dela em 2010, quando passei a utilizar a linha 132, a mais recente a ser operada pela empresa. Infelizmente já a utilizei quando a crise rodava junto com seus carros. Essa crise pode ter começado a partir da eclosão dos “loteiros”, em meados de 1999, ou também a partir do falecimento de seu fundador. Não se sabe ao certo o que houve.
                Apesar de seu histórico de glória a Riograndense vinha prestando serviços deficientes aos seus clientes, com ônibus de tecnologias defasadas, mal conservados e de manutenção falha. Atolada em dívidas tributárias na casa dos milhões, sem condições de adquirir novos veículos, a “marronzinha”, como era chamada por alguns usuários leigos no assunto, não aguentou e fechou as portas.
                Vai fazer muita falta para mim, porque apesar das dificuldades era a única empresa de ônibus que eu realmente amava e queria ver no sucesso. Para completar minha tristeza vejo as outras empresas potiguares sendo compradas por grupos que não entendem nada de sentimentos, senão de números. Tudo bem, capitalismo. Mas precisa tanta “frieza operacional”? Nunca fui favorável à compra das empresas potiguares por grupos de fora.
                Restam agora algumas poucas empresas de ônibus rodoviários genuinamente potiguares, e de Natal mesmo, só Via Sul (a mais próxima da Riograndense) e a Cidade das Dunas/do Natal, que espero que assuma algumas linhas da extinta empresa. Vou torcer para que estas prossigam prestando um serviço bom e que não precisem ser vendidas a grupos de fora do estado.
                Então vamos andando que a vida continua. Quem sabe um dia a Riograndense volta às ruas? Prefiro encarar esse final apenas como uma pausa. Uma empresa como ela não some simplesmente.

Bons finais de semana.
Rossano Varela

Foto: Rossano Varela


11 de ago. de 2012

#É cultural.


Olá pessoal. Paira em Natal a polêmica da retirada dos cobradores de algumas linhas da capital. Os especialistas em transportes permanecem divididos, onde alguns se mostram favoráveis à extinção da função, outros indiferentes ou desfavoráveis à extinção do cargo em questão. Chegou a hora de dar minha opinião.
Primeiramente, o cargo de cobrador está em extinção. Fato. É aquela função onde a tecnologia acaba substituindo o homem. Antigamente, inclusive aqui em Natal, os semáforos eram operados manualmente por um “guarda”, que ficava exatamente no centro do cruzamento. Há quantos anos não vemos um desses? Acendedor de poste. Na rua de vocês tem algum?
Cidades como Nova Iorque, Estocolmo, Berlin, Paris, entre milhares de outras, não possuem cobrador em seus ônibus, e olhe que uma linha em Manhattan deve ter bem mais demanda que uma linha 73 da vida. Eles têm tecnologia que substitui com louvor a presença de um cobrador. Em recente leitura à coluna Garagem.com, de Thiago Martins, vi que ele tratou a profissão do trocador, como é chamada em outras cidades brasileiras, como uma questão cultural. Concordo em grau, gênero e número. É pura questão cultural! Já vejo muitos cobradores ociosos em viagens, aonde os mesmos chegam até a cochilar. O mesmo que aconteceu nas cidades acima citadas aconteceu em Natal: a bilhetagem eletrônica neutralizou a função do cobrador.
Há quem diga que é perigoso o motorista ocupar as duas funções. Sinceramente, nem vejo o ato de receber R$ 5,00 e trocar R$ 2,80 como uma função trabalhista. O motorista ganhou mais uma tarefa, só isso. Dizem que dirigir trocando a passagem é perigoso. Nisso eu concordo, mas a solução é simples: passa o troco parado! Cria-se uma regra interna para que essa medida seja cumprida. Esse argumento de perigo não me convence. Além de tudo isso, a tendência é de haver cada vez menos dinheiro em espécie nos ônibus, por questões de comodidade e segurança.
Leitores, acostumem-se com a ideia de apenas motoristas nos ônibus. O cobrador chegará ao fim, assim como o operador de semáforo chegou e o acendedor de postes também. Não sou contra o profissional, inclusive por muito tempo quis vê-los nas linhas semiurbanas, mas percebi que é uma evolução que está acontecendo. Polêmico não é? Essa discussão não para por aqui, portanto, até a próxima.

Bons finais de semana!
Rossano Varela

Operador de semáforo no cruzamento das Avenidas João Pessoa e Rio Branco.  Foto: Hart Preston - Life

Comunicado

Em virtude do retorno das aulas na Universidade, ficou inviável publicar os textos às 22h das sextas, pois nesse horário ainda estou em sala de aula, logo, as publicações serão feitas na madrugada dos sábados. Recomendo a leitura no sábado pela manhã. Conto com a compreensão de todos.

3 de ago. de 2012

#Voltar para avançar!


                Olá pessoal! Sexta passada vocês puderam ler aquele texto que fiz submetido a um nível elevado de estresse. No dia seguinte refleti muito, não só sobre o escrito, e cheguei à conclusão de que caminhei por um caminho complicado: política. Sinto que politizei demais a “coisa”. É difícil continuar nesse sentido porque eu acabo esquecendo coisas simples que um busólogo pode fazer, e que eu fazia antigamente. Vou compartilhar algumas com vocês.
                Quando eu tinha sete anos tinha uma mania muito curiosa: assim que descia do ônibus ficava a olhar para a traseira do mesmo. Não lembro qual o objetivo, mas essa mania estava associada ao modelo de carroceria Vitória, da Caio, que possuía alguns detalhes que eu tinha incontrolável vontade de olhar, como os diferentes para-choques que o modelo teve, assim como as plaquinhas “mantenha distância” e “Mercedes-Benz”.
                Já mais velho, eu sentia uma sensação verdadeiramente mágica ao andar nos ônibus e ouvir o ronco do motor. O Guanabara 1221 dava um show de magia. Falando em Alpha, lembro-me bem do ano em que os primeiros Mercedes-Benz OF-1721 chegaram a Transportes Guanabara, e se não bastasse o chassi, então novidade, a carroceria trazia algumas mudanças visuais que o deixavam mais “malvado” do que a versão de 1996. Esses mesmos Alphas chegaram a rodar sem emplacamento e uma das coisas que eu mais gostava neles era a lanterna traseira, que não era fumê, como a primeira versão. Infelizmente a Guanabara foi trocando pelas lanternas escurecidas, até que os modelos perderam seu charme de outrora.
                Eu viajava muito de ônibus rodoviário. Cabral, Jardinense, Riograndense, Alves e principalmente, Queiroz e Melo, que depois virou Transul para então tornar-se Oceano. Aproveitei uma época boa para as empresas de ônibus intermunicipais. Era mágico entrar na Rodoviária, e eu adorava ver os guichês das empresas, onde cada um deles ostentava na fachada o nome da empresa e os destinos, internamente, havia pelo menos uma foto de um ônibus da empresa. Essa foto ficava num quadro médio, e o que mais me marcou foi o da Alves, onde um Viaggio fazia pose numa estrada com flores no canteiro ao pôr-do-sol.
                Essas são pequenas lembranças que tenho da minha vida de busólogo. São simples, mas carregadas de amor pelo ônibus, o aparelho. Creio que esse é o caminho certo a se seguir. Independente do sistema ultrapassado que temos, é preciso renovar o amor e a admiração que temos por cada ônibus, pois eles são a razão do nosso passatempo.
                É um desafio. Estou me esforçando para superar a doença que o bichinho verde da política transmite. Hoje, embora tenha pego um 132 por volta das 17:20h, ter viajado em pé de Petrópolis até Cidade das Rosas, ter pego dois congestionamentos, do ônibus estar lotado a ponto do motorista queimar parada para então, às 19h, ter finalmente chegado em casa, fiquei tranquilo, curtindo o Apache S21 e pensando nesse texto que vocês leram.

Bons finais de semana!

Rossano Varela

Foto por Rossano Varela - Natal/2010


27 de jul. de 2012

#Cidade desgovernada


Olá, é com muito mau humor que começo esse texto, que escrevo enquanto saboreio um congestionamento no Viaduto da Urbana. Esqueçam o amante de ônibus, aqui escrevo como técnico, objetivo e frio, afinal, como aquela frase das redes sociais diz: “agora a coisa ficou séria”.
A semana começou agitada em Natal, pois tive o privilégio de conhecer de perto uma parte da gama de chassis da Volvo, produtos topo de linha e que dificilmente verei nessa cidade. Desembarquei de um B290R na Praia do Meio para esperar um ônibus da linha 45. Assim que chego ao terminal, um Mercedes-Benz OF-1722 da Viação Riograndense que estava prestes a sair apresenta problema na direção. O motorista, com autonomia de Vicente Alves Flor disse ao cobrador: “vou pra garagem”. Ele nem sequer se dirigiu aos passageiros que aguardavam o embarque para dizer que não sairia para fazer a viagem. Pegou seu carro e partiu para Nova Natal. Eu ouvi porque já sou “cobra criada”, e além do mais, como administrador, naturalmente analiso os problemas que me rodeiam. Na volta para casa, utilizei a mesma empresa, só que num veículo de 1994, o famoso 1180. Já pensaram no choque que tive? Esse episódio é uma pífia parcela dos problemas que acontecem com os ônibus na capital potiguar e região metropolitana.
Pior que o ônibus é o sistema, cujas linhas são mal distribuídas, refletindo no favorecimento de algumas linhas em detrimento de outras, além dos trajetos medonhos, intervalo grande entre um ônibus e outro, enfim, inúmeras estratégias operacionais ultrapassadas e de fácil resolução, ou pelo menos seria, se não fossem os nossos gestores. Não. Nossos não. Eles governam para si próprios.
Eu lamento. Todos estão dando um “tiro no próprio pé”. As empresas vão perdendo mais passageiros (eu sou um deles, pois estou sendo obrigado a comprar um automóvel para me deslocar com um mínimo de dignidade), os gestores vão sendo cada vez mais odiados, as secretarias vão perdendo a credibilidade, e as ruas se enchem de carros e motos e mais engarrafamentos surgem. Tenso, não é mesmo?
Estou teclando a mesma tecla da semana passada, é verdade, mas esse problema é gravíssimo, pois afeta a saúde da população! Creio que encurtei minha vida em 10 anos nesses últimos dias, pois eu me irrito muito, muito mesmo, com os ônibus da minha Natal, a cidade desgovernada.
Solução? Tem uma licitação para ser feita. Se Deus quiser ela sairá, de preferência com novas empresas na cidade, e mais de preferência ainda com muitos chassis adequados para o transporte de humanos. E eu e você devemos cobrar nossos direitos, inclusive, em outubro estaremos com o poder nas mãos (?), portanto façamos bom uso dele.

Bons finais de semana!
Rossano Varela